sexta-feira, 13 de março de 2009

O ATO DE BRINCAR - ELISANGELA

O ato de brincar vai além de um simples passar de tempo para as crianças. O ato de brincar é um ato que visa alegria, emoções, desenvolvimento global, ou seja, coordenação, raciocínio, interação, sociabilização, em fim, envolve várias áreas do conhecimento. A criança precisa desenvolver-se em sua totalidade e não de forma fragmentada: social, intelectual, psíquica e psicomotora, por isso, as crianças necessitam de contato com os outros, do respeito ao próximo, para que saibam conviver em sociedade. Partindo desse princípio, os jogos em grupos, as brincadeiras de roda, os jogos com regras, e as atividades que proporcionam aquisição de conhecimentos são fundamentais para um desenvolvimento mais complexo.
O brincar passou por diversas transformações no decorrer dos tempos, antes do desenvolvimento tecnológico as brincadeiras eram mais coletivas e os brinquedos eram mais simples, alguns confeccionados pelas próprias crianças, outras brincadeiras nem utilizavam algum objeto. Com o advento da tecnologia as brincadeiras passaram a ser mais individualistas, mais eletrônicas. Resgatar as brincadeiras antigas, as brincadeiras com brinquedos simples como os de sucatas, as brincadeiras de roda, é um dever da educação atual, pois o prazer, a criatividade e a boa formação que esses jogos proporcionam não podem ser relegados a um segundo plano e nem substituídos por jogos eletrônicos.
Dentre as importâncias de se resgatar nas escolas o trabalho com histórias e confecções de brinquedos, ou mesmo utilizando brinquedos industrializados, porém mais simples, que envolvam o grupo todo e não somente um ou dois indivíduos, está em resgatar brincadeiras que envolvam a interação e a valorização do brinquedo. Por isso, o ato de confeccionar o brinquedo já é uma motivação de valorização, pois, as crianças dão valor pelo simples fato de saberem da dificuldade de se conseguir.
Nos últimos anos os jogos evoluíram muito. Os jogos eletrônicos estão cada vez mais substituindo as velhas brincadeiras tão importantes para o crescimento e para a formação física e mental das crianças.
Trabalhar com as crianças o lúdico, jogos coletivos significa valorizar nossa cultura, resgatar valores que contribuem para a formação dos seres humanos tanto no sentido de aprenderem a dividir, compartilhar, também no sentido cognitivo, o raciocínio se desenvolve muito quando nas escolas usam o conto, brincadeiras, jogos... As crianças quando brincam constroem seus conhecimentos por meio de papéis que representam e desenvolve o psicomotor, o psíquico e além disso propiciam o ajuste emocional. Enfim, o brincar é fundamental para o desenvolvimento motor, intelectual, moral, social, cognitivo e para resgatar a cultura. Transformar nossas aulas em brincadeiras, com certeza é mais significativo e interessante para as nossas crianças e, por isso, elas terão mais facilidade em compreender os conteúdos, pois elas aprendem brincando.
Vygotsky em sua teoria baseada na concepção de um organismo ativo, ou seja, o ser humano ativo e não passivo, formador de idéias, interventor, defende a importância do brincar. Brincando, interagindo a criança constrói o seu conhecimento na relação com o meio. Mesmo que os primeiros anos de vida da criança os fatores biológicos tem maior influência sobre a criança (fatores interpsicológicos), aos poucos vai se tornando um ser ativo e passa a interagir de forma ativa e não passiva com outros seres humanos (fatores intrapsicológicos). Dessa forma, a criança e o meio em que vive interferem uns sobre os outros, trocam experiências “modelando” reciprocamente as suas reações e a sua inteligência.
Nesse processo, as fases de desenvolvimento pelas quais a criança passa são três: Nível de desenvolvimento real que é o nível em que a criança está. Nível de desenvolvimento potencial que é o nível que a criança pode alcançar com a ajuda de alguém. Nível de desenvolvimento proximal que é a distância que existe entre os dois níveis e que deve ser propiciado pelas escolas.
Vygotsky dá ênfase à importância do brinquedo, do jogo em sua teoria porque segundo ele, “ as crianças transferem para o seu mundo imaginário o que passa despercebido no seu mundo real, principalmente por meio das brincadeiras de faz-de-conta”. Nas brincadeiras a criança interioriza modelos da vida real como, quando a criança observa a mãe, imita sua maneira de se vestir ou pai, passa a imitar o pai lendo jornal, até mesmo gestos corriqueiros.
A criatividade em desenvolver situações imaginárias, a construção de regras são fatores propiciados pelo uso do brinquedo que fantasticamente vai criando uma Zona de desenvolvimento proximal na medida em que impulsionam conceitos e processos de desenvolvimento.
O significa de mundo aprendido pelas crianças através do brinquedo é de uma dimensão extraordinária. A liberdade que o brinquedo dá, permite que as crianças sintam-se livres para arriscarem-se e tentarem fazer coisas mesmo que não tenham confiança em si mesmas, aos poucos vão se soltando e percebendo que algo que antes parecia tão complicado, na verdade é muito fácil.
E assim, aprendem brincando, brincando aprendem.

Um comentário:

  1. Ola Gurias, eu novamente. Não poderia deixar de comentar este bonito texto, em que vocês apresentam uma maturidade acadêmica, mostrando que sabem refletir sobre os temas teóricos abordados durante o curso, aliando-os a prática vivenciada por cada um. Mais uma vez, Parabéns!

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